Uma mudança no entendimento sobre a data de residência pode render ao futebol vietnamita um reforço inesperado no ataque. O atacante nigeriano Michael Olaha, naturalizado com o nome vietnamita Olaha Manh Duc, passou a residir permanentemente no país a partir de agosto de 2021, e não de janeiro de 2022 como se acreditava anteriormente, um ajuste atribuído aos impactos da pandemia de COVID-19 nos registros oficiais. Essa correção de data muda tudo: com os cinco anos de residência completos já em agosto de 2026, ele passa a atender aos critérios da FIFA para representar a seleção vietnamita.
Caminho livre para a convocação
Hoje em dia, Olaha Manh Duc veste a camisa do Ho Chi Minh City Police FC e já possui cidadania vietnamita, dois requisitos essenciais que, somados ao tempo de residência agora validado, abrem caminho oficial para sua elegibilidade internacional. O técnico Kim Sang-sik, responsável pelo comando da seleção, vem acompanhando de perto a situação do jogador, ciente do potencial que ele representa para um setor ofensivo que atravessa um momento delicado.
A seleção vietnamita lida com desfalques sensíveis no ataque. Nguyen Xuan Son e Nguyen Tai Loc, peças importantes no esquema ofensivo de Kim Sang-sik, estão fora de combate por lesão, o que reduz as opções do treinador justamente num período de reorganização da equipe. Nesse contexto, a possível inclusão de Olaha Manh Duc na pré-temporada marcada para novembro é vista por observadores do futebol vietnamita como um reforço potencialmente decisivo, ainda que sua convocação efetiva dependa de decisões técnicas e administrativas que ainda estão por vir.
Naturalização como estratégia de crescimento
O caso de Olaha Manh Duc se insere numa tendência mais ampla no futebol do Sudeste Asiático, onde federações têm recorrido à naturalização de jogadores estrangeiros radicados no país como forma de elevar o nível competitivo das seleções nacionais. Para o Vietnã, que busca consolidar sua posição entre as principais forças do continente, somar um atacante com presença física e experiência em competições locais pode representar um upgrade relevante, especialmente diante da janela de oportunidade aberta pelas lesões no setor ofensivo.
Ainda assim, elegibilidade não significa convocação garantida. Caberá à comissão técnica avaliar a adaptação tática do jogador, sua forma física e o encaixe dentro do sistema de jogo adotado por Kim Sang-sik antes de qualquer chamada oficial. O episódio, no entanto, já movimenta a imprensa esportiva vietnamita, que vê no caso um indicativo de que a seleção pode ganhar mais uma peça de peso justamente no momento em que mais precisa de soluções ofensivas.